Pilar Mental

 IMAGINAÇÃO E VISUALIZAÇÃO MENTAL

 

           Começou o jogo… apito inicial. O árbitro assume o seu papel, nada existe além do cenário do jogo. A atenção no nível mais elevado, o controle do stress e da ansiedade já foi antecipado e, agora, em perfeito domínio, a tomada de decisões é feita com rapidez, nível ótimo de concentração, o discurso flui, voz controlada, gestos objetivos e expressão facial calma e confiante, posicionamento em campo conforme as técnicas aprendidas, gerindo o esforço e as mudanças de velocidade, sempre em contato visual com os árbitros assistentes.

          O rigor técnico, a disciplina, a boa disposição, o treino físico e das competências psicológicas faz com que o árbitro haja com consciência, com assertividade e clareza de discurso, com sinais seguros, harmoniosos e bonitos.

            Como chegar a esse nível ótimo de atenção? Claro e naturalmente que um árbitro em início de carreira tem algumas preocupações enquanto está arbitrando um jogo, com o tempo (experiência) e com treinos específicos, que requerem muito empenho, consegue deixar de pensar demasiadamente e automatizar comportamentos importantes na sua atuação. Além da interação com as diversas intervenções no jogo, o árbitro, no decorrer do jogo, preocupa-se com a sua colocação em campo, de acordo com as diretrizes transmitidas pelos instrutores de árbitros no início de cada temporada, tenta transmitir uma boa imagem postural, sinalização harmoniosa e adequada, nunca estar de costas para os árbitros assistentes, não perder a bola de vista quando controla uma barreira, estar sempre muito atento à equipe que vai repor a bola em jogo, isolar os jogadores quando é necessário mostrar um cartão, entre outras preocupações relativas à aplicação técnica das regras.

            Um árbitro com alguma experiência já não despende tantas energias nestas atividades porque interiorizou e treinou estas competências. O que fazer para treina-las quando os treinos, na maioria dos casos, acontecem em plena competição? Através da utilização de imagens e da visualização mental. Através desta técnica obtêm-se resultados rápidos e eficazes. Aprende-se, de fato, a controlar a atividade cognitiva e a facilitar a atuação, como se as imagens mentais de situações fossem realmente vivenciadas. E são, na mente, quando um árbitro está num jogo e fez esse treino, rapidamente vê resultados. É uma técnica que facilita qualitativamente a sua atuação. Se fizer esse treino sistematicamente, como por exemplo, na véspera do jogo, certamente que no jogo não pensará tanto, estará mais confiante e controlará melhor o stress e a ansiedade.

 Dra. Maria João Freire

Licenciada em Psicologia

APAF – Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol

 FONTE: http://www.apaf.pt/


  CRÔNICA DE FORMAÇÃO PSICOLÓGICA

 

              Após dez anos de atividade como árbitra, tenho a dizer que a arbitragem faz crescer. Faz crescer como pessoa, faz com que tenhamos uma consciência única do que é existir em relação com as pessoas que nos rodeiam. Faz com que tenhamos o controle necessário para enfrentar todos os obstáculos com que nos deparamos diariamente. Por quê? Porque quando apitamos o início do jogo, o mais difícil já foi ultrapassado. É nesse exato momento que nos abrimos a uma nova realidade, à experiência de um novo jogo, de decisões firmes e conscientes, a um caminho sem medo, sem hesitações. O que é isto senão o caminho para a felicidade? Só tem que correr bem se estivermos preparados para o que vem. Preparados fisicamente e emocionalmente, somos das três equipes em campo, a melhor.

             E, o que é mais difícil na vida de um árbitro? Até começar o jogo, passamos uma semana de trabalho, treinos semanais, recebemos a escala do jogo, comunicamos com os colegas que estarão no jogo, discutimos com o nosso companheiro ou com a nossa família (“Nunca está aqui aos finais de semana!”), tentamos descansar no final de cada dia de trabalho para que no fim de semana de jogos possamos estar serenos (“Maldita insônia, preciso dormir!”) arrumamos a bolsa de equipamentos (“Não sei se me falta alguma coisa!”) comunicamos ao chefe que vamos precisar sair mais cedo na sexta feira ou faltar nesse dia porque vamos ter que pegar um avião ou pernoitar num lugar distante para arbitrar um jogo (Será que vou ser despedido?), preparamos o carro para a viagem (Será que o carro vai conseguir resistir a mais 1000 km num dia), evitamos contatos telefônicos dos amigos (“Vamos sair, se divertir até amanhecer?” – “Não dá, tenho jogo amanhã, fica para a próxima”) reunimos com os colegas às 7 da manhã para estar no campo, mais do que uma hora de antecedência, fazemos refeições adequadas (“Essa feijoada está com um aspecto delicioso, mas…”), olhamos para o mapa inúmeras vezes para tentar encontrar o caminho (“Estamos perdidos. Por favor, pode nos indicar onde fica o campo?”), encontramos o campo e vamos para o vestiário dos árbitros (“Que pequeno! Temos que pôr as malas em cima uma das outras e nos vestirmos um por vez”) enfrentamos alguns percalços (“Senhores árbitros, hoje não temos água quente, o chuveiro queimou”). Antes de começar o jogo, verificamos o equipamento e afins: relógio, apito, moeda, cartões, caneta, bloco de notas, bola, bandeiras, disposição, frequência cardíaca, espelho para ver se estamos bem encarados, respirar fundo, sair do vestiário, jogadores em sentido, médico, preparador físico, massagistas, treinadores, policiais, ambulância, maca, público que já começa a falar conosco (“Antes do jogo já começam a nos tratar bem!”), identificação dos jogadores, sorteio, saudação, metas em ordem, troca de olhares entre os árbitros, cronômetro a postos… COMEÇOU O JOGO!

Dra. Maria João Freire

Licenciada em Psicologia

APAF – Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol

 FONTE: http://www.apaf.pt/


 O PODER DA CONCENTRAÇÃO

 

                A capacidade de concentração é fundamental para a eficiência do desempenho humano em qualquer área vital.

              Alguns fatores podem prejudicar a capacidade de concentração, como por exemplo: estresse, ansiedade, depressão, preocupação, tristeza, cansaço, medo, falta de sono e alimentação inadequada, entre outros. Entretanto, podemos desenvolver nossa capacidade de concentração, ou seja, de estarmos presentes e respondermos as nossas necessidades e as situações que a vida nos apresenta, seja no ambiente de trabalho, das relações afetivas, do lazer, da aprendizagem etc.

             Em diversos campos do conhecimento humano, inclusive da Psicologia, encontramos instrumentos para desenvolver e aprimorar nossa capacidade de concentração e consequentemente aperfeiçoarmos a eficiência em nossas atividades cotidianas. Especialmente no universo esportivo essas técnicas de concentração são fundamentais para o desempenho de atletas, árbitros, equipe técnica etc. Uma das principais técnicas de concentração envolve exercícios de respiração. Podemos exercitar a respiração, pois o cérebro oxigenado amplia a capacidade de atenção, devolve o foco, aumenta a capacidade de concentração e memória.

         Um outro exercício que favorece os processos de concentração, é o exercício de relato de experiência, ou seja, a apropriação das experiências vividas (ex: formas de treinamento, sensações na escala, no sorteio, avaliação física,etc) , de modo que ampliem o conhecimento do árbitro a cerca de si mesmo, a cerca do próprio desempenho, das tensões, dos limites, e dos seus diferentes recursos para solucionar os problemas que envolve a sua tomada de decisão na consecução de suas tarefas e desafios profissionais, e ou esportivos.

               Então, uma vez que o arbitro faça um relato de suas experiências, o Psicólogo responsável, fará as intervenções necessárias, sempre com o objetivo que esse Ser Humano (árbitro, atleta, equipe técnica) se aproprie de suas potencialidades, ou de suas limitações, e com isso receba o acolhimento que carece, e ao mesmo tempo, possa compreender as diferentes leituras em seu fazer, e os próximos passos que precisa exercitar. Esse processo dialogado, trabalhado, treinado, exercitado, tende avançar e otimizar novos afazeres, e com isso, decisões mais precisas, claras, e objetivas farão parte de um melhor desempenho em campo.

               Por último, vale destacar que para ser árbitro de futebol, é preciso amar o que faz, é preciso procurar a harmonia dentro de si. É necessário transitar entre o fazer, e a leitura de suas possibilidades. Ser Árbitro é uma maneira de contribuir com a comunidade, ofertando a ela, e representando os valores humanos da ética, da responsabilidade, do compromisso, do respeito aos acordos firmados e acima de tudo a luta pela excelência e aprimoramento. Essa tarefa de fundamental importância será bem desenvolvida à medida que a pessoa possa conhecer-se, crescer e realizar suas potencialidades como ser humano total e complexo. BOA SORTE! RESPIRE! RELATE SUAS EXPERIÊNCIAS! ENCONTRE-SE!

Dra. Marta Aparecida Magalhães de Sousa

Psicologia Clínica – Escolar – Esportiva

CA – Comissão de arbitragem – CBF

 FONTE: http://www.cbf.com.br/


 TREINAMENTO NO PRESENTE POSSIBILIDADE DA AUTO-OBSERVAÇÃO

 

              Retomando a série exercícios de concentração, vale destacar que o presente é um movimento permanente entre passado e futuro.

             A memória, os treinamentos, os jogos, os planos de trabalho, são materiais do passado e planos para o futuro que estão presente no agora. E o agora se refere a esse momento.

        À medida que o individuo se movimenta com consciência no presente e no aqui-agora, ele tem possibilidade de interagir com o meio, experimentar o ambiente, vivenciar as ações que o meio proporciona – observar seu comportamento, e se desenvolver cada vez mais rumo às novas direções e aprendizagens.

         Estar no presente, é um convite à observação dos treinos – e a se fazer perguntas, como por exemplo: por que treino, o que treino, como treino, quando treino, onde treino. O objetivo deste exercício é descobrir o que está sendo feito de forma mecânica, e ou alienada. O que está sendo feito de forma consciente, o que dá prazer, o que desgasta, como é esse desgaste, e qual a possibilidade de fazer deste treino, momentos agradáveis, entre outras questões que surgem.

            Através de relatos e observações, sabemos que o gasto de energia corporal e mental é muito maior quando se faz exercícios no automático. E nem sempre, o resultado ao final do treino é dos melhores.

         Cabe ao Psicólogo responsável, encorajar o momento presente e a auto-observação. Como também, a disponibilidade para a escuta dos relatos (sensações e percepções adquiridas), ajudar esse humano a conscientizar-se do presente, do aqui e agora, além de fomentar experimentações e vivências no presente. Esse movimento pode auxiliar os ajustes criativos e as oportunidades para a presentificação, atenção, foco e concentração. Ainda, possibilita caminhos de continuidade às situações que precisam ser ressignificadas. Acima de tudo, cabe ao psicólogo, garantir a retaguarda com a efetiva presença e com trocas nas observações em novas direções.

          Durante esse trabalho, situações difíceis como: dores, lesão, reprovação na avaliação física, erro na decisão em campo, sensação de falta de chão, injustiça, ansiedade, pressão, distração, tristeza, estresse e outros, podem estar diante das tarefas do árbitro de futebol e das tarefas de qualquer humano. A presença do Psicólogo, e o exercício no presente, no agora, possibilita um olhar mais profundo para isso tudo, por mais complexo que seja, ganha o compartilhar do sofrimento, ganha um apoio ao sofrimento. Esse movimento ajuda no enfrentamento do real e na quietude do coração, da alma, dos nervos, para vivenciar e elaborar o próximo passo a ser seguido.

         Nesse momento, os espaços internos são visitados ou revisitados, e neles encontram-se as possíveis saídas, as possíveis mudanças, as novas oportunidades, acessa-se a energia do fundo, que tem a possibilidade de despertar a Fé, a Esperança, o Novo, o nascer para um NOVO PRESENTE.

           Que assim seja! Que possamos exercitar o presente… Tirar proveito das experiências, vivências… Continuar traçando metas para o amanhã… E Vislumbrar novas possibilidades.

Dra. Marta Aparecida Magalhães de Sousa

Psicologia Clínica – Escolar – Esportiva

CA – Comissão de arbitragem – CBF

 FONTE: http://www.cbf.com.br/


  LIDAR COM PRESSÃO TER DECISÃO MADURA NO CAMPO DE JOGO.

 

           No momento que O ÁRBITRO entra no campo de jogo, está impresso nele, a autoridade através da regra, atrelado a isso, estão os elementos da coragem, atitude, confiança, ética e tomada de decisão.

               Por isso, o árbitro tem a urgente necessidade em compreender que cada jogo tem sua história e que as estratégias mentais gritam, berram por treinos de habilidades e competências individuais e coletivas, e que mesmo com treino efetivo, o que é do humano pode escapar, imagina deixando como último plano a subjetividade e a estrutura mental. O corpo vai reagir sem consistência diante das adversidades.

            É bom lembrar que temos vários olhares sob os árbitros, e que eles estão envoltos pela paixão do torcedor, que tem como objetivo denunciá-los, por qualquer falha.

          E, se ele continuar fazendo tudo da mesma forma, sem filtrar suas estratégias de sensação, percepção, mobilização de energia para cada jogo, dificilmente e descobrirá as diferentes facetas da concentração, e dos exercícios para as ações interiores que possam gerar segurança, confiança, de ordem natural e consistente.

           Sei que esses resultados não são imediatos, no entanto, afirmo que eles quando bem treinados diariamente, tornam-se hábitos, com insights de ajustes criativos, de autorregulação organísmica, frente às pressões inesperadas.

          Eis então que surge o convite à autoavaliação, e a tentativa de compreender que acertos e erros fazem parte da vida humana. Portanto, tentar errar cada vez menos é o caminho que buscamos trilhar. A correção é passo a passo no ato, e passo a passo no dia seguinte.

         Para legitimar essa reflexão e lidar da melhor maneira diante das pressões, é urgente o trabalho interno de segurança, confiança, onde sentir-se com auto suporte e colocar em prática o que foi planejado, ganha sentido e significado com vivacidade.

       Fica claro ainda que, para quem está na ação, e quem está diante das adversidades, o caminho mais provável é habilitar a persistência em busca de metas, estratégias de crescimento pessoal e da modalidade em questão (arbitragem) sempre priorizando a consciência, passo a passo, dia após dia, jogo a jogo, entre outros.

         No campo de jogo tem momentos de altos e baixos, e é esse controle que devemos perseguir.

        O árbitro precisa treinar – encontrar as melhores ferramentas para se sentir seguro ao aplicar a regra do jogo. Quando o aqui e agora é vivido, presenciado, o foco e atenção contextualiza o momento. E é esse momento de concentração, que o árbitro pode entrar em contato consigo mesmo, e com o processo autorregulador de ajustes criativos, equilibrando suas emoções, e o controle da partida.

       Dessa forma, conclui se que o Pilar Mental tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar dos árbitros em treinos e nos campos de jogo, dando-lhes condições para lidar com as situações que podem interferir em seu rendimento e nos demais participantes desse contexto (outros árbitros, comissão local, nacional, instrutores, assessores, torcida, treinadores, familiares entre outros) quando necessário.

        Em outras palavras, na hora do jogo, o árbitro não pode pensar apenas no resultado que quer conquistar. Seu foco deve estar direcionado para o que deve fazer – e o que já fez – para realizar um bom jogo, o que inclui a preparação física, técnica, tática e psicológica. Imaginar “um jogo perfeito” e repassar o passo a passo que levará à reprodução dessa visualização na hora do jogo pode ser estratégia eficaz se for treinada e acompanhada pelo Psicólogo responsável, que possibilitará o controle emocional necessário na hora da partida.

        Se a meta estabelecida for realista e as etapas anteriores de treinamento tiverem sido cumpridas, é possível afirmar que se o árbitro conseguir colocar tudo isso em prática, com o foco de concentração direcionado a cada tempo do jogo, o resultado virá como consequência.

         Por isso, invistam no treinamento em primeiro lugar, para que alcancem a decisão madura na hora do jogo. Também vale destacar que um bom plano de trabalho antes da partida e a concentração nos treinamentos aproximam você do resultado final desejado.

Dra. Marta Aparecida Magalhães de Sousa

Psicologia Clínica – Escolar – Esportiva

CA – Comissão de arbitragem – CBF

 FONTE: http://www.cbf.com.br/


LAÇOS E NÓS NA ARBITRAGEM. O QUE REALMENTE TEM SENTIDO? 

 

         Inicio essa reflexão, me valendo de algumas observações, que merecem respeito, atenção e cuidado. Durante anos, observo, escuto, vejo a necessidade dos árbitros, e de seus dirigentes de serem fortes, determinados, corajosos, e outros predicados atrelados à vida e a modalidade.

          Ainda constato que se trata de uma realidade dos homens de maneira geral, pois para entrar e permanecer no meio competitivo, é receber um convite a motivar a ação e encarar os aspectos da coragem, e mais, continuar dia a dia rumo ao desafio, e ao enfrentamento se possível sem erros.

         No entanto, nesse momento, a polaridade humana é esquecida. Esquece-se de que somos Humanos, dotado de fraquezas, e que esta, é parte integrante da força.

           Nesse momento, também nos esquecemos do ambiente de muita exigência, onde cada vez mais a competição apresenta se como parceira, e esse fato, não é fácil de ser encarado, e nem é tranquilo alegar desconhecimento.

          Diante desse sentimento fragilizado, desarticulamos as partes do todo, fragmentamos a realidade, e buscamos insistentemente um lugar de destaque, que aqui chamarei de pódio, no entanto, novamente nos esquecemos de que o pódio só é possível depois de muito treinamento, e que o tempo de treino é a constância do mesmo, e a busca da superação dos limites, habilidades e competências. E mais, que tudo isso, se esta fazendo parte de nossa vida, é porque foi permitido por mim.

          Quando percebemos que estamos diante de situações difíceis, procuramos fórmulas, receitas prontas, e às vezes até corremos atrás de um manual que dite as regras que devemos seguir. Porém, no caso da arbitragem, elas não existem, a busca de um caminho pronto carrega a ilusão de que há uma maneira certa de viver, e isso nos priva da responsabilidade, e da capacidade criativa que temos de nos relacionar, de trabalhar, treinar, e vigiar o foco o tempo todo, ou seja, de construir um caminho a partir da experiência, vivência, adquiridas com pessoas comuns, ou com profissionais capacitados a nos ajudar dentro dos Pilares (físico, técnico, mental) criados para dar suporte a nossa forma de exercer a Arbitragem.

         Isso se explica, por estarmos vivendo num mundo cheio de coisas prontas, de muitas opções, e de dificuldades de escolhas. Insisto na necessidade da Escolha Consciente, na condição de assumir a própria singularidade, e responsabilidades, na condição de se comprometer com o processo, de fazer ajustes criativos e flexibilizar onde precisa. Construções devem ser feitas a partir das experiências, vivências, onde pode se compartilhar ao longo da existência, e do dia a dia, onde a presença, as relações significativas dão sentido à vida.

          Só podemos viver em um grupo comum, se houver espaço para nossa singularidade, e o objeto comum a todos nesse meio é a busca da Excelência.

        Quando nossas ações, buscas e a própria vida tem ausência de sentido, estamos adoecendo ou adoecidos pelas formas de vida da contemporaneidade. Somos marcados pela correria, desesperança, sentimentos que invalidam o humano, até mesmo com a falta de fé no amanhã, e consequentemente com nó diante do treino necessário para seguir confiante.

            O amor no que se faz, na forma de treinar, nos possibilita integrar, ligar, unir, sonhar, abrir para o mistério, para o outro, e para si próprio. Esse laço fortalece a confiança, a segurança e a tomada de decisão, de forma precisa, segura, e clara.

              E então, laços podem ser reforçados… Ou podem ser desamarrados… Nós – podem ser mais apertados… Ou podem ser desatados… Será? Laços e nós – fazem parte do processo. Qual é minha escolha? Com o que me comprometo? Assumo minhas responsabilidades? O que realmente tem sentido? Tenham um feliz ENCONTRO com sua história.

Dra. Marta Aparecida Magalhães de Sousa

Psicologia Clínica – Escolar – Esportiva

CA – Comissão de arbitragem – CBF

 FONTE: http://www.cbf.com.br/